quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Desejo de mulher

Nua de paz,
tenho aperto no peito
e a cor de carmim
no lábio mordido, sem beijo.
Quero falar com você
em forma de verso, canção,
na forma de amor ou paixão...
Quero a cadência do samba
nas veias
e o arroubo do tango
em meu sexo.
Tenho o bolero na alma,
gosto de valsa na boca
e samba-canção no silêncio tristonho
e saudoso
desta inspiração
marota,
teimosa,
briguenta,
sardenta,
queimada de sol,
salgada de mar
e no poro fechado,
ardendo,
tremendo,
arrocho no escuro da sala,
amasso no canto da vida
esse amor que não vem.
É madrugada...

Rio de Janeiro, 2h30 da madrugada, juventude.

Espera




Espera

 
 Amor...
As palavras escorregam nos dentes,
brincam nos lábios, acariciam o queixo
e perdem-se no ar... Os pensamentos enroscam-se no cérebro,
brigam entre os cabelos
e voam sem destino.
 
Amor...
As mãos saem das luvas
e olham para si mesmas
- embora sem olhos aparentes -
e contam os dedos, um a um...
não lhes falta nada -
dedos, unhas e calos...
 
Amor...
Os pés espreguiçam-se fora dos sapatos
e param sem saberem para onde ir.
As pernas prendem-se ao tronco,
por medo de fazerem algo errado. O sexo aquieta-se,
à espera do amor que não vem...

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz.
Rio de Janeiro, qual o dia? o ano? não sei... lembro-me tão somente da emoção...

Simplicidade

Enroscar em seu amor o meu amor de paz.
ao seu lado nas nuvens,
chorar lua,
cantar estrelas,
ouvir sol,
sorrir de mar...
Beijar sorriso,
segurar palavras,
espremer sexo,
sentir divino escorrer nos dedos.
Rolar na mata vestidos de amor,
envoltos de ar.
Beijar unhas, cabelos
e as coisas mais simples
de mim e você.
Suprir sua vida de mim
e a de mim em você.
E na ânsia de amar,
enroscar em seu amor
o meu amor de paz.

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 22 anos - madrugada.

Nudez

Fiquei nua de orgulho
fiquei nua de palavras,
fiquei nua de sonhos.

Vesti-me de amor e o amor me despiu.
Na matéria coberta, fiquei nua.

Cobri-me de choro.
Chorei vestida de amor e o amor me despiu.
Fiquei nua de novo!

Nua de mente e de corpo,
nua de alma, de gente.
Nua, vestida de amor para o amor!

Queria chorar e chorei. O amor deixou.
Queria falar e calei. O amor me calou.

Leve, com medo...
Medo de ficar nua na frente do nu.
Nus de fato, almas e corpos nus.

Dormi nua sobre o nu,
ambos vestidos de amor.

E se alguém entrasse e nos visse nus?
E se nos vissem nus?
Enxergariam também nossa nudez coberta?


Sílvia Mota.
Rio de Janeiro.
Lembro-me até hoje de quando fiz este poema. Estava na sala de espera de um dentista, em Copacabana. A dor de amor invadia minh'alma...

Necessidade

Eu preciso amar,
sentir a verdade nos olhos,
na boca,
no sorriso.
Eu preciso amar,
costurar as veias rasgadas,
remendar sonhos,
bombear a vida.
Eu preciso amar,
apertar troncos,
cariciar plantas,
sugar frutos.
Eu preciso amar,
ouvir sons,
movimentar pernas e braços,
possuir-me em outro.
Eu preciso amar,
esfregar mentes,
cegar os olhos abertos,
espremer desejos.
Eu preciso amar,
converter pensamentos,
abrigar carícias,
cansar-me na espera.
Eu preciso amar,
aumentar o ritmo da vida,
suar os poros,
entregar-me toda.
Eu preciso amar!

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, 1h16 da madrugada de um dia que se foi.

Meu recanto



Fui morar num lugar esquisito,
onde o silêncio fala,
onde o sorriso chora,
onde a morte nasce
e onde a vida não consegue morrer.
Fui morar nesse lugar engraçado
onde não enxergo meu corpo,
onde flutuo sem sair do chão,
onde falo sem emitir sons.
As notícias são lidas nas estrelas,
a música é o bater do coração,
o sonho é a vida respirada a cada momento
e o momento é toda a continuidade de pensamentos.
As estátuas que fiz são mais humanas
do que os humanos de onde vim.
Ficam caladas ouvindo meu estranho silêncio
e sinto choro sem lágrimas
naqueles olhos de pedra que não vêem.
Fui morar naquela rua onde você não passa,
naquela casa sem número da rua sem bairro
e sem cidade.
Fui morar no calado barulhento das palavras
que não consigo tirar fora do meu imenso baú
feito de massa cinzenta.
Num recanto triste da minha própria vida
estrangulei meus sonhos
e na saudade do seu carinho
adormeci meu sexo.
Enrosquei meu corpo
no esperma endurecido dos lençóis
e, num recanto triste da minha própria vida,
enfiei as mãos nos meus sentidos
e não pude mais sentir você no meu prazer...


Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz.
Rio de Janeiro, há muito tempo...
Fundo musical: Maksim Mrvica - Claudine original

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Atrevida

Preciso desabotoar seus sentimentos
e enfiar minhas emoções
nos seus caminhos,
retirar suas roupas,
fazer promessas de outros mundos
e encantar seus sonhos.
Preciso desonrar os mitos mais profundos
da sua alma,
rolar nessa vegetação espessa e estranha,
escalando o orgulho de você;
descobrir seu êxtase
e enfiar minha vida
nesse tronco sem folhas,
estremecer até o fim...
e começar de novo...
Preciso cansar minhas raízes,
fazendo-as esquecer os preconceitos
de uma vida inteira,
sentir-me pura na maldade
e beber o néctar do seu corpo.
Eu preciso!

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro, madrugada.

domingo, 17 de maio de 2009

Desespero

 
 
Desespero
  
Por que persistir
na espera do sorriso?
- Ele não vem!!!
Se pudesse chorar...
 
Se pudesse cuspir, neste momento,
o gosto salgado que me estraga a garganta
e apertar os olhos, castigando-os,
porque não viram a realidade!
 
Se pudesse estourar os tímpanos,
que aguardam palavras de amor
e amputar os braços morenos,
que esperam o abraço branco!
 
Se pudesse chorar, neste momento,
o gosto salgado que me estraga a garganta
e chutar os pensamentos trementes,
que marcam meu lábio de sangue!
 
Se pudesse quebrar os dentes,
cair na rua que me atrai
e permitir sem dor ou arrependimento,
que a vida passasse por cima de mim!...
 
Se pudesse esmagar o corpo inútil,
que arde todo num desejo puro...
Ah! Se pudesse esmagar o corpo inútil,
que arde todo num desejo puro!...
 
Talvez, não vejas a flor despetalar
naturalmente...
Talvez, caia antes da haste,
estupidamente!
Talvez, perca o perfume,
inexplicavelmente!
Talvez, caia da haste,
antecipadamente...
 
Há um medo de ver a morte
no momento errado...
A flor está negra
- assustada -
deixou de enfeitar-se, fechou-se,
exala um perfume amargo!...
Há um medo de ver a morte
mo momento errado...
 
Mas, por que persistir
na espera do sorriso?
- Ele não vem!!!
Se pudesse chorar...
 
Talvez, não vejas a flor
despetalar naturalmente...
 
 
Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz
Rio de Janeiro, 2:15hs da madrugada, do dia 26 de julho, de um ano qualquer.

Perdi...


Perdi...
Há outra flor no meu lugar de honra.

Perdi...
Quando as luzes se apagarem irei chorar.
Agora, não!

Depois, no escuro,
quando nem eu puder enxergar...

Se pudesse apagar a vida do meu corpo
e dormir tranquila quando as luzes se apagarem...

Se pudesse apagar a vida do meu corpo
e continuar sonhando pela eternidade...

Ah, se pudesse!..
Escolheria sonhos de paz,
não haveria gente, apenas flores...
Até eu gostaria de ser flor!
Desmancharia noites em perfume
e alegrias em hastes de vingança
àqueles que ameaçassem nossa comunhão de amor...

Quando as luzes se apagarem irei chorar.
PRECISO!
Continuar apertando tudo por dentro,
amassando sonhos...
NÃO POSSO!

Quero chorar e depois dormir.
PRÁ QUÊ ACORDAR?!!!

Perdi...
Há outra flor no meu lugar de honra.
Perdi...

Quando as luzes se apagarem irei chorar,
AGORA, NÃO!!!

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz.
Rio de Janeiro, 2h15 da madrugada, do dia 26 de julho, de um ano qualquer...

Um poema de saudade

Poema...
Poema de estrela,
na estrela da noite,
na noite de um mundo,
num mundo de vida
na vida de alguém.
Poema...
Poema canção,
num canto saudade,
saudosa distância,
tão perto no amor,
num amor, de verdade
não falsa de alguém.
Poema...
Poema cantante,
chorando saudade,
sem rima falada.
Poema...
Poema de alguém por alguém,
tão simples, sem nada,
de mim prá você!

Sílvia Mota.
Rio de Janeiro.
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Este inocente poema, escrito aos quase vinte anos de idade,
ofereci a alguém que possuía olhos negros, tão difíceis de encontrar,
pelas homenagens que sempre fez aos meus verdes olhos...
Se, um dia, pelos acasos da vida, encontrar esta página,
saberá que me refiro aos inocentes momentos que desfrutamos juntos...